quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

40 programas para seu PC novo


Comprou um PC e ainda não instalou um pacote de programas? Então baixe os aplicativos a seguir. Elas fazem parte do kit básico de qualquer computador. O pacote, vale dizer, só tem software gratuito e bem avaliado pelos internautas



Segurança

AVG 2011 Free: recém-lançada, a nova versão do antivírus é rápida para caçar e apagar os malware que infectam o PC. Além disso, o programa conversa bem com o Windows 7 e, por isso, consegue economizar memória e processamento do novo sistema operacional. Outras três boas opções são os antivírus Avast 5 Free Antivirus, Microsoft Security Essentials, Avira 2010 Free e Panda Cloud.



Comodo Firewall: o Windows 7 vem equipado com um bom firewall. Mas se o internauta deseja um software com mais prestigio, pode baixar o Comodo Firewall. Dono de uma interface rica em informações e bastante intuitiva, o programa é bem fácil de usar. O software é capaz de proteger o Windows de ameaças externas e de cavalos de troia.



Ad-Aware: software com a função básica de vasculhar o computador e eliminar os spyware que roubam informações do internauta. O programa tem ainda algumas outras funções de segurança para proteger o PC da ação de pragas como cavalos de troia, hijackers e malware que capturam senhas armazenadas no navegador. O software, além disso, é equipado com um sistema para defender o micro da ação de vírus.


Vídeos, sons e imagens

VLC Media Player 1: não gosta nem a pau do Windows Media Player? Então instale o player VLC no Windows 7. Esse programa encara os principais formatos de vídeo e áudio, como DivX, XviD, MPEG-1, MPEG-2, AVI, MOV, WMV, Real, SVCD, Matroska, 3GP, FLV, Cinepak, FLAC, Ogg e muitos outros – sem necessitar da ajuda de nenhum codec adicional. Ele também tem suporte a legendas.



Ashampoo Burning Studio 2010: o software – que grava DCs, DVDs e Blu-Ray – é uma boa alternativa ao gravador nativo do Windows 7. Ele tem uma interface bastante intuitiva e simples de usar – inclusive, é idêntica à do Nero, popular programa da categoria.



Picasa 3.8: o Windows 7 oferece um recurso bacana para organizar as fotos. Mas ele não supera o Picasa. Esse organizador caça todas as imagens espalhadas no PC e oferece formas de organizá-las. Se quiser, o internauta pode usar o Picasa para corrigir os olhos vermelhos das fotos, colocar geo-tags nas imagens e, ainda, usar o sistema de reconhecimento de faces.



Foobar2000: A leveza e a boa variedade de formatos de áudio compatíveis são os pontos fortes do espartano player de música foobar2000. Como exige poucos recursos do sistema para funcionar, o foobar2000 raramente trava durante a execução das músicas, mesmo com outros aplicativos abertos no computador ao mesmo tempo. Além de MP3, o player toca músicas em AAC, WMA, Ogg Vorbis e Flac, entre outros formatos.



Paint.Net: Leve, gratuito, fácil de usar e com interface totalmente em português. Essas são as principais credenciais do Paint .Net. O software dá conta das operações básicas para melhorar a qualidade das fotos e oferece mais algumas ferramentas. Traz, por exemplo, filtros e ajustes por curvas e níveis, um recurso ausente na maioria dos programas gratuitos do gênero. Outra opção eficiente é o GIMP.


Utilitários

CCleaner: um dos programas mais conhecidos para limpar e melhorar o desempenho do PC. O destaque desse aplicativo é a ferramenta que apaga os dados desnecessários do registro do Windows e dá fim aos arquivos temporários do browser.



K-Lite Mega Codec Pack: um pacotão de codecs e filtros de vídeo para o Windows. Com ele, o internauta visualiza diversos formatos de vídeos que são baixados da web – e que, às vezes, teimam em não abrir.



Recuva: desenvolvido pelos mesmos criadores do CCleaner (um programa que limpa os arquivos inúteis do Windows), o Recuva funciona muito bem na recuperação de arquivos multimídias, como músicas, fotos e vídeos. Nele, o internauta encontra uma boa ferramenta para refinar a busca pelos dados apagados.



Revo: nem sempre a remoção de software pelo Windows ou pelo desinstalador próprio dos programas fazem trabalhos eficientes. O Revo Unistaller supre essa lacuna. Quando se decide desinstalar um programa, o Revo propõe quatro métodos – desde o menos profundo e mais rápido, com a ferramenta de desinstalação do próprio aplicativo, até o mais demorado e meticuloso, que verifica todas as informações deixadas no Registro e no disco rígido.



7-Zip: o software funciona com os formatos mais comuns de compactação, como o ZIP, o RAR e o ARJ, entre outros. Como os outros aplicativos do ramo, ele também tem um formato próprio, o 7Z, que promete comprimir os arquivos com 50% mais eficiência em relação ao tradicional formato ZIP.O programa também se adapta aos menus do Windows. Portanto, clicando com o botão direito do mouse em cima de um arquivo e escolhendo a opção 7-Zip, o internauta compacta qualquer arquivo.



Speccy: quer saber quais são o hardware e a versão do sistema operacional que compõem seu computador? Então baixe o Speccy, um programinha que faz um raio X completo do PC. E o Speccy faz esse trabalho com muita simplicidade. Basta executar o software que ele mostra, de cara e sem nenhum clique, um sumário com a versão do Windows e dos detalhes técnicos da CPU, memória RAM, motherboard, placa de vídeo, HDs, drives de CD/DVD e componente de áudio. Apresenta até informações da temperatura de alguns componentes do PC.



WinUtilities: o programa é um freeware que não pode faltar de jeito nenhum no micro de quem quer manter o Windows sempre em ordem. O programa apresenta, numa bela interface, diga-se, um monte de recursos para: reparar e limpar arquivos, otimizar e melhorar o desempenho do sistema, aumentar a segurança e privacidade, proteger e trabalhar com arquivos e pastas, e, ainda por cima, ajustar o registro e desfragmentar o disco.


Internet

Mozilla Firefox 3.6, Opera 10.6, Safari 5 e Google Chrome: o Windows tem como navegador padrão o Internet Explorer. Se você não gosta do browser, os quatro navegadores indicados são boas opções. Eles são mais rápidos e não gastam tanta memória quando o navegador da Microsoft.



MSN 2011: o famoso comunicador instantâneo da Microsoft não vem pré-instalado em nenhum Windows. Portanto, é necessário baixá-lo. Por que ele está aqui? Porque é o mensageiro instantâneo mais popular do país.



uTorrent: se tiver dúvida de qual programa P2P instalar no Windows, escolha o uTorrent. Ele permite que o internauta agende arquivos para serem baixados. Além disso, oferece recursos para a pausa e a retomada de um download – ferramenta essencial para quem baixa arquivos gigantes da web.



Flash Player e Java: esses dois software ficam escondidos no sistema. Contudo, eles são essenciais para rodar alguns programas e carregar as páginas web. Eles não podem faltar em nenhum PC novo.



Skype 5: um dos melhores programas para realizar ligações telefônicas usando a rede de internet. Com ele, o internauta não paga nenhum centavo quando liga para outro usuário Skype – não importa se a pessoa está no Brasil ou no exterior. Já nas ligações para telefones fixos ou celulares do mundo inteiro, o internauta precisa pagar uma taxa, mas ela é bem menor do que as cobradas pelas operadoras de telecomunicações. O Skype tem ainda comunicador instantâneo e recurso para enviar SMS.



Xmarks: com esse aplicativo, o internauta guarda os favoritos do navegador num diretório virtual. O que isso significa: que os bookmarks do usuário podem ser sincronizados. No trabalho ou em casa, os mesmos favoritos ficam à mão. E se um dia um computador der pau, há como recuperar os favoritos. O Xmarks funciona com os navegadores IE, Firefox e Safari. Tem um serviço que permite ao internauta acessar os favoritos remotamente.



JDownloader: o programa é o melhor amigo do internauta que baixa todo tipo de conteúdo da web. Além de ajudar no gerenciamento dos downloads, o freeware é capaz de baixar arquivos dos burocráticos serviços de hospedagem com mais facilidade.


Escritório

Symphony e BrOffice: sem dinheiro para um pacote Office? Não se preocupe. Baixe um dos dois aplicativos mencionados. Eles oferecem editores de textos, de apresentação e tabelas. Além do mais, abrem arquivos do pacote da Microsoft.



Foxit Reader: com esse reader, o internauta abre os famosos arquivos do formato PDF. Ele é bem pequeno e não ocupa mais de 10 MB no disco do computador, portanto, não pesa no sistema. Ele tem recursos para o internauta compartilhar informações do PDF e, também, abrir arquivos desse formato com recursos multimídia de som, imagens e vídeos.



CutePDF: tem vezes que precisamos transformar um documento em um PDF. A maneira mais simples de fazer esse trabalho é com o CutePDF, um utilitário que permite a criação de PDF a partir de qualquer programa do Windows.



Backup

Dropbox: guarda dados importantes no computador? Se esse for seu caso, internauta, você precisa de um eficiente sistema de backup de arquivos. O Dropbox é uma boa indicação. Quando instalado no PC, ele copia os dados para uma pasta segura na nuvem de internet. O bacana é que ele sincroniza, em tempo real, os arquivos entre vários computadores; além disso, permite ao internauta acessar o conteúdo do backup remotamente.



ComodoBackup: um programa indispensável para quem precisa fazer um backup das informações importantes armazenadas no PC. O software faz cópias de segurança de fotos, vídeos, músicas e documentos com poucos cliques e sem muitas complicações – e frescuras. Ele é capaz de armazenar os dados do backup em pen drives, disco rígidos internos e externos, pasta especificas, diretórios de rede , mídias de DVD e CD, memórias removíveis e, para usuários mais avançados, até num servidor FTP



Visual

Windows 7 Theme Pack: o seu PC tem o Windows 7? Quer deixar o visual dele matador? Então baixe esse aplicativo. Ele adiciona 22 opções de temas no sistema operacional. Os motes dos temas são variados: tem um do Homer Simpson, outro com a imagem de uma cidade, um com fotos do campo.Gimp: construído com código aberto, o Gimp é um editor de imagens poderoso. Ele tem muitas ferramentas para dar um trato nas fotos e é compatível com a maioria dos formatos de imagens. É uma boa alternativa para o Paint do Windows – que é fraquinho nos recursos.



Fences: não quer deixar o desktop bagunçado, com documentos e atalhos de programas espalhados por todos os lados? É, internauta, se essa for sua preocupação, baixe o Fences, um programinha gratuito que te ajuda na organização. Desenvolvido pela StarDocks, uma conhecida desenvolvedora de temas para desktop, o Fences cria no desktop cercadinhos para abrigar ícones, documentos, vídeos ou qualquer outro tipo de dado.



Rocktdock: se você é daquele tipo de internauta que considera a interface do Windows feia e sisuda vai gostar do RocketDock. Não à toa. Gratuito, esse programa instala uma nova barra de ferramentas no sistema operacional. Equipada com atalhos para configurações e aplicativos, a barra de ferramentas RocketDock tem um visual moderno, que lembra muito a barra do Apple Mac OS.



Fonte: http://info.abril.com.br/noticias/blogs/geek-list/software/40-programas-para-seu-pc-novo/5/

Relação estável diminui o desejo sexual feminino

Depois de 4 anos de relacionamento, menos da metade das mulheres desejam sexo regular


Um recente estudo realizado pela Universidade de Hamburg-Eppendorf, na Alemanha, sugere que mulheres que se sentem em um relacionamento muito seguro apresentam uma queda no desejo sexual.




A pesquisa aconteceu com 530 voluntárias e de acordo com os cientistas, a diminuição da libido acontece em média depois de quatro anos de relacionamento. Os cientistas explicam que no começo da relação 60% das mulheres esperam que o sexo seja realizado regularmente, mas depois de quatro anos o número cai para 50%, e depois de 20 anos para apenas 20%.



Apesar do resultado, a pesquisa sugere que o desejo por carinho não diminui diante do tempo de relação. Aproximadamente 90% das voluntárias disseram receber carinho, durante todo o período de relacionamento.



O estudo também analisou voluntários do sexo masculino e o resultado comprovou que, para eles, o desejo por sexo não diminui consideravelmente diante de uma relação estável. Os números variam entre 60% e 80%, durante todo o relacionamento.



Fonte: http://www.minhavida.com.br/conteudo/10106-Relacao-estavel-diminui-o-desejo-sexual-feminino.htm

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Eleições 2010 e a entrada de personagens famosos

A entrada de personagens famosos nas eleições 2010 pode ser marcada pela eleição do palhaço Tiririca (PR) a deputado federal por São Paulo, maior colégio eleitoral do País, com 1,3 milhão da preferência do eleitorado, o que corresponde a 6,35% dos votos. No entanto, outros como o ex-pugilista Maguila, o cantor de pagode Netinho, e os ex-jogadores do Corinthians Marcelinho Carioca, Dinei e Vampeta não tiveram o mesmo feito e perderam o pleito nesse domingo (3), depois da contagem de votos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O candidato ao Senado pelo PCdoB em São Paulo, Netinho de Paula, após aparecer entre os melhores colocados nas pesquisas realizadas nos últimos meses, não conseguiu a candidatura. O cantor recebeu 7.773.327 (21,14%) votos. Dois candidatos foram eleitos no Estado: Aloysio Nunes, do PSDB, e Marta Suplicy, do PT, com 11.189.168 (30,42%) votos e 8.314.027 (22,61%) votos, respectivamente. Outro cantor - que também é ator e compositor - não conseguiu uma vaga no Senado: Moacyr Franco (PSL-SP). O candidato obteve 411.642 (1,12%) mil votos.

No futebol, os ex-jogadores corintianos sofreram uma baixa diferente: a derrota nas urnas. Vampeta (PTB) e Marcelinho Carioca (PSB), que estrearam na política e tentaram se eleger deputados federais, receberam 15.300 mil votos e 62.399 mil votos votos, respectivamente. Outro boleiro (e do Corinthians) era Dinei, que se aliou ao PDT, para concorrer a uma cadeira de deputado estadual.

Adilson Rodrigues, ou o Maguila, também não foi eleito. O pugilista teve apenas 2.951 mil votos. Ainda dos ringues, Acelino de Freitas, o Popó, não se elegeu a uma cadeira para deputado Federal, pelo PRB, na Bahia, recebendo 60.235 (0,90%) mil votos.

No Rio de Janeiro, onde a lei permite que até 46 deputados federais se elejam, o antigo mandatário do Vasco Eurico Miranda (PP) ficou abaixo na sequência: 88º. Também pelo PP, o cantor Elymar Santos, que tentava uma vaga para deputado federal, não foi eleito.

Entre as mulheres, as funkeiras Tati Quebra Barraco (PDT) - candidata a uma vaga para deputada federal - e Mulher Melão (PHS) - candidata a uma vaga para deputada estadual - não foram eleitas nas eleições do Rio. A candidata do PTN à deputada federal, Mulher Pêra (PTN), teve a candidatura indeferida.
Fonte: http://noticias.terra.com.br/eleicoes/2010/noticias/0,,OI4717139-EI15311,00-Maguila+Netinho+e+corintianos+sao+derrotados+pelas+urnas.html

O que faz um Deputado Federal?

Os deputados federais têm como principais responsabilidades representar o povo brasileiro, elaborar leis e fiscalizar a aplicação do dinheiro público. Também são prerrogativas da Câmara dos Deputados, entre outras coisas, a autorização para instauração de processo contra o Presidente e Vice-Presidente da República e os Ministros de Estado; a tomada de contas do Presidente da República, quando não apresentadas no prazo constitucional.


Rotina do Parlamentar

A rotina do parlamentar na Casa divide-se fundamentalmente em atividades em plenário e nas comissões. Os dias em que há maior atividade na Casa são terça, quarta e quinta-feira, quando há Ordem do Dia (votações) em Plenário e trabalho das comissões.

A Ordem do Dia é o momento da sessão em que são analisados e votados os projetos em pauta. Elas acontecem nas tardes de terça-feira e quarta-feira, nas manhãs e de quinta e, às vezes, nas manhãs de sexta. Neste momento, o trabalho das comissões precisa ser interrompido e os deputados devem se dirigir ao Plenário. Nas segundas e sextas, acontecem as sessões ordinárias não-deliberativas, sem votações, mas com discursos dos parlamentares.

As comissões

As comissões são órgãos temáticos encarregados de discutir e votar projetos, promovendo, inclusive, debates com convidados. Elas podem ser permanentes ou temporárias. As primeiras, que somam 22, fazem parte da estrutura institucional da Casa. A mais importante delas é a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, pela qual passam todos os projetos. É nessas comissões que as matérias em tramitação na Casa é analisada e debatida pelos parlamentares. Muitos dos projetos em análise na Câmara não precisam ser votados pelo plenário, bastando a votação nas comissões. É o que se chama de tramitação em caráter conclusivo.

As comissões temporárias podem ser especiais ou de inquérito – as chamadas CPIs. Elas encerram suas atividades ao término da legislatura, quando alcançado seu objetivo, ou se o prazo de duração dos trabalhos expirar.

Nas comissões permanentes, que se reúnem em média duas vezes por semana, o deputado pode ser designado como relator de projetos. Nesse papel, ele deve apresentar um parecer pela aprovação ou rejeição do projeto, ou ainda um texto que irá substituir o projeto original (substitutivo). O deputado também pode requerer a realização de audiências públicas ou seminários com a finalidade de discutir temas de interesse da comissão.
Registro de freqüência

Para registrar a presença dos parlamentares na Casa, em plenário e nas votações nominais, a Câmara adotou o Sistema Eletrônico de Votação (SEV). O registro eletrônico é feito por meio da impressão digital do deputado, coletada em postos específicos localizados no plenário.

O deputado precisa registrar a freqüência na Casa todos os dias úteis (de segunda a sexta-feira). O registro da presença é importante para se ter o quorum de abertura das sessões. Nos dias em que há sessão deliberativa (com votações), o parlamentar deve registrar presença em Plenário, que será utilizada para quorum de abertura da Ordem do Dia. O registro da presença em plenário dispensa o registro de presença na Casa.



Fonte: Agência Câmara

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Consolidar a ruptura histórica operada pelo PT

Consolidar a ruptura histórica operada pelo PT


Leonardo Boff



Para mim o significado maior desta eleição é consolidar a ruptura que Lula e o PT instauraram na história política brasileira. Derrotaram as elites econômico-financeiras e seu braço ideológico, a grande imprensa comercial. Notoriamente, elas sempre mantiveram o povo à margem da cidadania, feito, na dura linguagem de nosso maior historiador mulato, Capistrano de Abreu, "capado e recapado, sangrado e ressangrado". Elas estiveram montadas no poder por quase 500 anos. Organizaram o Estado de tal forma que seus privilégios ficassem sempre salvaguradados. Por isso, segundo dados do Banco Mundial, são aquelas que, proporcionalmente, mais acumulam no mundo e se contam, política e socialmente, entre as mais atrasadas e insensíveis. São vinte mil famílias que, mais ou menos, controlam 46% de to da a riqueza nacional, sendo que 1% del as possui 44% de todas as terras. Não admira que estejamos entre os países mais desiguais do mundo, o que equivale dizer, um dos mais injustos e perversos do planeta.



Até a vitória de um filho da pobreza, Lula, a casa grande e a senzala constituíam os gonzos que sustentavam o mundo social das elites. A casa grande não permitia que a senzala descobrisse que a riqueza das elites fora construída com seu trabalho superexplorado, com seu sangue e suas vidas, feitas carvão no processo produtivo. Com alianças espertas, embaralhavam diferentemente as cartas para manter sempre o mesmo jogo e, gozadores, repetiam: "façamos nós a revolução antes que o povo a faça". E a revolução consistia em mudar um pouco para ficar tudo como antes. Destarte, abortavam a emergência de outro sujeito histórico de poder, capaz de ocupar a cena e inaugurar um tempo moderno e menos excludente. Entretanto, contra sua vontade, irromperam redes de movimentos sociais de resistência e de autonomia. Esse poder social se c analizou em poder político até conquistar o poder de Estado.



Escândalo dos escândalos para as mentes súcubas e alinhadas aos poderes mundiais: um operário, sobrevivente da grande tribulação, representante da cultura popular, um não educado academicamente na escola dos faraós, chegar ao poder central e devolver ao povo o sentimento de dignidade, de força histórica e de ser sujeito de uma democracia republicana, onde "a coisa pública", o social, a vida lascada do povo ganhasse centralidade. Na linha de Gandhi, Lula anunciou: "não vim para administrar, vim para cuidar; empresa eu administro, um povo vivo e sofrido eu cuido". Linguagem inaudita e instauradora de um novo tempo na política brasileira. O "Fome Zero", depois o "Bolsa Família", o "Crédito Consignado", o "Luz para Todos", o "Minha Casa, minha Vida, o "Agricultura familiar, o "Prouni", as "Escolas Profissionais", entre outras iniciativas sociais permitiram que a sociedade dos lascados conhecesse o que nunca as elites econômico-financeiras lhes permitiram: um salto de qualidade. Milhões passaram da miséria sofrida à pobreza digna e laboriosa e da pobreza para a classe média. Toda sociedade se mobilizou para melhor.



Mas essa derrota infligida às elites excludentes e anti-povo, deve ser consolidada nesta eleição por uma vitória convincente para que se configure um "não retorno definitivo" e elas percam a vergonha de se sentirem povo brasileiro assim como é e não como gostariam que fosse. Terminou o longo amanhecer.



Houve três olhares sobre o Brasil. Primeiro, foi visto a partir da praia: os índios assistindo a invasão de suas terras. Segundo, foi visto a partir das caravelas: os portugueses "descobrindo/encobrindo" o Brasil. O terceiro, o Brasil ousou ver-se a si mesmo e aí começou a invenção de uma república mestiça étnica e culturalmente que hoje somos. O Brasil enfrentou ainda quatro duras invasões: a colonização que dizimou os indígenas e introduziu a escravidão; a vinda dos povos novos, os emigrantes europeus que substituíram índios e escravos; a industrialização conservadora de substituição dos anos 30 do século passado mas que criou um vigoroso mercado interno e, por fim, a globalização econômico-financeira, inserindo-nos como sócios menores.



Face a esta história tortuosa, o Brasil se mostrou resiliente, quer dizer, enfrentou estas visões e intromissões, conseguindo dar a volta por cima e aprender de suas desgraças. Agora está colhendo os frutos.



Urge derrotar aquelas forças reacionárias que se escondem atrás do candidato da oposição. Não julgo a pessoa, coisa de Deus, mas o que representa como ator social. Celso Furtado, nosso melhor pensador em economia, morreu deixando uma advertência, título de seu livro A construção interrompida (1993): "Trata-se de saber se temos um futuro como nação que conta no devir humano. Ou se prevalecerão as forças que se empenham em interromper o nosso processo histórico de formação de um Estado-Nação" (p.35). Estas não podem prevalecer. Temos condições de completar a construção do Brasil, derrotando-as com Lula e as forças que realizarão o sonho de Celso Furtado e o nosso.



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Leonardo Boff é teólogo, filósofo e escritor.



http://www.pt.org.br/portalpt/opinioes/consolidar-a-ruptura-historica-operada-pelo-pt-18361.html

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A revista Veja, o anti-jornalismo e o PT



Pesquisa da PUC: “a Veja e o anti-jornalismo”

Por Juliana Sada

Criada em setembro de 1968, a revista “Veja” é a publicação semanal brasileira de maior tiragem, teoricamente com cerca de um milhão e duzentos mil exemplares. Criada por Mino Carta, atualmente diretor de redação da Carta Capital, e Victor Civita – estadunidense filho de italianos, fundador do Grupo Abril – a revista foi por um longo período paradigma para o jornalismo brasileiro. Por sua redação, passaram nomes importantes da profissão; e, por suas páginas, grandes personagens da história – entre seus entrevistados estão Vinícius de Moraes, Yasser Arafat, Salvador Dalí, Tarsila do Amaral e Sérgio Buarque de Holanda.

Mas, em anos recentes, a revista tornou-se alvo de intensas críticas. Na internet, disseminam-se pequenas e grandes iniciativas de informação e contraponto ao tipo de jornalismo feito por lá.

O jornalista Fábio Jammal Makhoul decidiu debruçar-se sobre a revista Veja para formular sua tese de mestrado em Ciência Política para a PUC de São Paulo. A dissertação analisou a publicação durante o primeiro mandato de Lula , de janeiro de 2003 a dezembro de 2006. Fábio constatou que houve, de modo deliberado, uma cobertura tendenciosa com o objetivo de desestabilizar o governo. Os números são impressionantes: “40,6% da cobertura de Veja sobre o primeiro governo petista noticiou os escândalos do Planalto e, conseqüentemente, Lula e o PT de forma negativa”. O governo ocupou “54 capas de Veja, das 206 publicadas no período”, destas “32 tratavam de escândalos, segundo classificação da própria Veja, ou seja, 59,3% do total”.



Segundo Fábio, esse sistemático ataque levou ao surgimento de inúmeras críticas que “abalaram a própria revista, que se sentiu na obrigação de reafirmar sua ‘imparcialidade e independência’ a todo o tempo em 2005 e 2006”.



O Escrevinhador entrevistou Fábio Jammal Makhoul para expor e debater seu estudo e o papel desempenhado pela revista. Confira a seguir.

Como surgiu a ideia de estudar a revista Veja?

O principal motivo que me levou a pesquisar a revista Veja é jornalístico. A degradação do jornalismo da revista nos últimos anos foi assustadora. Veja é a maior revista semanal de informação do Brasil, com tiragem superior a 1,2 milhão de exemplares. Um número muito maior que o das demais publicações do segmento. Veja é a quarta maior revista de informação do mundo e seu jornalismo já foi referência para toda mídia impressa brasileira. Mas, nos últimos anos, o semanário também se transformou no maior fenômeno de anti-jornalismo do país.

De 2005 para cá, a revista se perdeu completamente em reportagens baseadas em ilações e xingamentos, que ignoraram as regras mais básicas do jornalismo e rasgaram todos os códigos de ética da profissão. Virou um verdadeiro pasquim, com matérias que se revelaram fantasiosas e recheadas de ataques e manipulações da informação. Isso não quer dizer que o PT e o governo Lula sejam os bonzinhos da história e nem as vítimas da grande imprensa. Pelo contrário, houve erros gravíssimos na administração federal, que precisavam ser apurados e divulgados pela mídia.

Entretanto, o jornalismo da grande imprensa conseguiu ser mais antiético que os próprios políticos que eram acusados, com erros grosseiros que comprometeram a imagem desses veículos, principalmente a da revista Veja, que foi a mais engajada na tentativa frustrada de derrubar o presidente da República em 2005 e 2006.

Muito se fala sobre cobertura parcial da Veja. Por meio da sua pesquisa, foi possível constatar a veracidade dessas observações?

Sim, e nem precisava de uma pesquisa acadêmica ou mais aprofundada. Basta uma leitura simples da revista para constatar que Veja tem um lado quando o assunto é política. Hoje temos uma bipolarização partidária no Brasil, com PT e PSDB monopolizando a disputa eleitoral. E a revista Veja está claramente do lado do PSDB e completamente contra o PT. Se você pesquisar a revista desde o início dos anos de 1980 vai constatar que o Partido dos Trabalhadores e o próprio Lula nunca tiveram um tratamento positivo nas páginas de Veja.

Essa história de imparcialidade da imprensa não existe. Os veículos de comunicação são empresas e têm seus interesses e preferências políticas. O jornal O Estado de S. Paulo, por exemplo, sempre foi conservador e nunca escondeu isso. Assumir uma posição ideológica ou política não é ruim. É até saudável e democrático, os grandes jornais da Europa e dos Estados Unidos fazem isso. Pelo menos, o leitor sabe claramente qual é a orientação editorial da publicação. O problema é quando se abandona o jornalismo para se transformar num panfleto político-partidário. E foi o que aconteceu com Veja de 2005 para cá.

Nos dois primeiros anos do primeiro mandato de Lula, o semanário ainda fez jornalismo, mas, ao apostar que poderia derrubar o presidente da República em 2005, perdeu a aposta e a credibilidade. Com o escândalo do “mensalão”, Veja captou o antilulismo e o antipetismo da chamada classe média que lê a revista e iniciou sua campanha pelo impeachment do presidente. Só que a questão política serviu para que Veja se sentisse à vontade para cometer os abusos que quisesse. Uma coisa é a crítica política que se viu no Estadão e n’ O Globo, por exemplo. Outra coisa é partir para o xingamento, como fez Veja.

Você poderia citar capas e matérias que seguramente continham distorções, inverdades, ataques ou parcialidade?

Há muitos exemplos, principalmente em 2005 e 2006. Uma das capas que mais me chamou a atenção foi a da edição de 16 de março de 2005. A revista tentou fabricar uma crise para os petistas, com uma reportagem que prometia ser “bombástica”. A manchete da capa era: “Tentáculos das Farc no Brasil”. Em letras menores, a revista diz que “espiões da Abin gravaram representantes da narcoguerrilha colombiana anunciando doação de 5 milhões de dólares para candidatos petistas na campanha de 2002”.

A capa é chamativa, cheia de dólares ao fundo e uma foto do militante petista que teria recebido dinheiro das Farc. Embora a revista tenha considerado a reportagem forte o suficiente para ser a capa da edição, no corpo da matéria há três ressalvas de que o semanário não tinha como comprovar as acusações. O tema foi repercutido por um mês até sumir das páginas de Veja. O Ministério Público e o Congresso Nacional investigaram e não acharam nada e a revista sequer se desmentiu o publicou o final da história. Capa parecida foi a de 2 de novembro de 2005, que dizia que a campanha de Lula recebeu dólares de Cuba. A matéria é toda fantasiosa e com denúncias em off que nunca se confirmaram.
Uma das partes da sua dissertação se intitula “O discurso político das capas”. Você poderia explicitar qual é este discurso?

Nos quatro anos do primeiro mandato de Lula, o governo e o PT foram os principais temas da capa de Veja, ocupando mais de um quarto das manchetes do período. Com 49 capas negativas, a revista lançou mão de uma estratégia discursiva que visava claramente dar a Lula o mesmo destino de Collor: o impeachment. Sem sucesso neste intento, o semanário passou a trabalhar para evitar a reeleição do petista. A revista não foinada sutil em sua estratégia, pelo contrário, foi arrogante, agressiva, preconceituosa. O preconceito, aliás, foi uma das modalizações discursivas contra o governo mais utilizadas pela publicação, principalmente na capa. Desde o primeiro ano do mandato, em 2003, a revista procurou tematizar sobre a ética no PT. O enunciador sempre deixou claro que ela não passava de discurso para chegar ao poder, mas, assim que os escândalos começaram, Veja tratou de provar que o PT era pior que os demais partidos neste quesito. Entre os muitos preconceitos despejados pelo enunciador na capa está a associação entre o PT e bandidos; de traficantes a assassinos.

A suposta falta de escolaridade e de atenção dos petistas com a educação também foram bastante exploradas, sendo que o enunciador não se intimidou para fazer alusão ao animal burro em diversas ocasiões. O esquerdismo do PT também foi apresentado negativamente e de forma preconceituosa. Veja mostrou aos leitores que a máquina pública foi tomada pelos petistas, que aparelharam o Estado como fizeram os soviéticos. Aliás, autoritarismo foi outro tema explorado, que procurou mostrar um PT stalinista e ditador.

A corrupção, entretanto, foi o tema mais explorado nas capas que retrataram o PT e o governo Lula. Com uma série de escândalos em pauta, a revista usou uma das estratégias mais controversas e criticáveis: a comparação entre Lula e Collor. Comparações são sempre complicadas, mas o enunciador de Veja, posicionado e ideológico, relacionou os dois presidentes de forma simplista e forçada.

Com esta modalização discursiva, Veja pôde finalmente trabalhar pelo impeachment de um Lula sem moral, sem ética, corrupto, chefe de quadrilha, despreparado e que fez um primeiro mandato pífio, segundo as capas do semanário. Assim, a revista ousou também decretar o fim do PT. Errou em todas as apostas. Para justificar suas derrotas, Veja encontrou uma explicação baseada e mais preconceitos. Na edição de 16 de agosto de 2006, quando as pesquisas apontavam vitória fácil de Lula na disputa pela reeleição, Veja veiculou uma capa com a foto de uma jovem negra segurando o título de eleitor. A manchete era: “Ela pode decidir a eleição”. O subtítulo explica quem é ela: “nordestina, 27 anos, educação média, 450 reais por mês, Gilmara Cerqueira retrata o eleitor que será o fiel da balança em outubro”. Ou seja, ela é o retrato do Brasil e não dos leitores da revista, que são das classes A e B. Para esses, que o enunciador de Veja aposta que sabem votar, resta a resignação, já que os negros, pobres, analfabetos e nordestinos vão decidir as eleições.

Na introdução do seu trabalho, você apresenta a revista Veja como protagonista de escândalos. Ao que você se refere ao chamar a Veja de protagonista?

Podemos dizer que praticamente toda a chamada grande imprensa aproveitou os erros e desmandos do PT na primeira gestão do Lula para denegrir a imagem do partido e impedir a reeleição do presidente. Mas a revista Veja foi protagonista porque foi a mais enfática na campanha contra os petista e a que mais cometeu erros do ponto de vista jornalístico. Além disso, suas reportagens serviram tanto para iniciar um escândalo como para mantê-lo na pauta da mídia. Em muitos momentos, principalmente durante o escândalo “mensalão”, as reportagens de Veja alimentaram os jornais diários e a própria TV.

Você afirma que “ao todo, Veja publicou 206 edições entre 1° de janeiro de 2003 e o dia 31 de dezembro de 2006. Neste período, a revista produziu 621 reportagens sobre o primeiro governo do PT. Dessas, 252 trataram dos escândalos.” Isso quer dizer que, na média, havia três matérias sobre o governo por edição e sempre uma sobre algum escândalo?

Sim, e mesmo quando a matéria não era sobre escândalos, o enfoque que era dado ao Lula e ao PT era negativo. No meu trabalho deixo claro que o Partido dos Trabalhadores, uma vez no poder, cometeu uma série de irregularidades que deveria sim ser apurada e noticiada. Mas a forma com que a grande imprensa fez a cobertura, principalmente a Veja, visava apenas derrubar o PT do poder e não denunciar as mazelas do nosso sistemas político e eleitoral brasileiro, que estão no cerne do “mensalão” e de vários outros escândalos e que continuaram intactos. Muitos desses problemas que geram toda sorte de abuso de poder são antigos e foram mostrados por diversos autores.

Talvez o melhor lugar para se buscar conhecimento sobre o funcionamento da política seja na obra de Nicolau Maquiavel. Não é à toa que sua bibliografia é chamada de realismo político. Lá se encontra a pura realidade sobre a política. Para divagar um pouco, me arrisco a fazer um paralelo entre Maquiavel e o governo Lula. O PT sempre empunhou a bandeira da ética e bradou que é possível ter “pureza” dentro do jogo político e eleitoral brasileiro. Mas, para chegar ao poder, teve de lançar mão das mesmas práticas que condenava em outros partidos, assim como fez para governar o país. Um jornalismo investigativo sério e isento poderia constatar isso e denunciar de forma séria e isenta. Assim, o PT mostraria o realismo político, que desnudaria os problemas que assolam nossos sistemas político e eleitoral.

Uma cobertura sóbria, que não fosse tendenciosa ao ponto de mostrar que o governo do PSDB sim foi puro, poderia causar uma indignação suficiente para que o Brasil finalmente fizesse uma reforma que melhorasse efetivamente os nossos sistemas político e eleitoral. Mas, ao fazer uma cobertura parcial e tendenciosa, o jornalismo chamou mais a atenção do que os escândalos que noticiava, não contribuindo em nada com o país.



As capas analisadas, de 2003 a 2006, seguiram sempre o mesmo tom ao tratar do PT? É possível delimitar períodos de maiores ofensivas ou recuos?

Veja só se manteve recuada nos ataques no primeiro ano do mandato de Lula, 2003. Em 2004, começou sua ofensiva, embora de forma meio tímida. Mas em 2005 e 2006, Lula e o PT foram os principais temas da capa. Em 2005, das 52 edições, Lula e o PT aparecem de forma negativa em 24 capas, sendo 18 delas classificadas pela própria Veja no tema escândalo. Ou seja, quase a metade das edições abordaram o presidente negativamente. Em 2006, último ano de governo, Veja publicou 15 capas sobre Lula e o PT, todas desfavoráveis em pleno ano eleitoral.

Nos quatro anos do primeiro mandato de Lula, o governo e o PT foram os principais temas da capa de Veja, ocupando mais de um quarto das manchetes do período. Foram 49 capas negativas, sendo 39 só em 2005 e 2006. Comparativamente à atuação de governos passados, o tratamento da imprensa e de Veja à gestão Lula foi muito desigual. Durante a era tucana, por exemplo, as denúncias contra o governo federal não tiveram muito destaque. Em 1997, o presidente Fernando Henrique Cardoso foi acusado de comprar votos para a aprovação da emenda que permitiu sua reeleição, havia denúncias sobre as privatizações e corrupção em vários órgãos ligados ao governo federal, como a Sudam e a Sudene. Naquele ano, apenas uma capa foi feita sobre as acusações, com a foto de Sérgio Motta, então ministro-chefe da Casa Civil, e a chamada da capa era: “Reeleição”.

Já em 2005, com Lula na presidência, forma dezoito capas sequenciais durante quatro meses de puro bombardeio. Veja chegou a defender o fim do PT e que isso seria benéfico para a política brasileira, já que até na oposição sua atuação foi prejudicial para o país. Veja nunca havia defendido o fim de nenhum partido e nem usado tantos adjetivos negativos como usou para falar sobre os petistas.

Em 2006, em pleno período eleitoral, a revista veiculou cinco capas negativas para o governo, entre 23 de agosto e 25 de outubro. Isto quer dizer que as capas de metade das edições de Veja que circularam enquanto as eleições se definiam eram ruins para Lula. Enquanto isso, Geraldo Alckmin (PSDB), seu principal adversário, não apareceu negativamente em nenhuma capa de Veja neste período. Pelo contrário, neste período o candidato do PSDB era mostrado de maneira positiva. Só no período do segundo turno das eleições, Lula foi alvo de quatro reportagens de Veja e em todas elas ele aparece de forma negativa. Já Geraldo Alckmin aparece em duas matérias neste período. Ambas com abordagens positivas para o tucano.



As manchetes veiculadas nas capas estavam de acordo com a reportagem produzida ou havia discrepâncias com o intuito de chamar a atenção do leitor?

As manchetes eram mais sensacionalistas, mas as reportagens também seguiam a mesma linha. Ainda assim, é possível perceber muitas discrepâncias, como aquela capa das Farc que eu já citei. Na capa, Veja afirma que o PT recebeu dinheiro das Farc e na matéria há três ressalvas de que o repórter não conseguiu nenhuma prova. Outra capa que chama a atenção é aquela que eu também citei sobre a nordestina, negra e pobre que iria decidir a eleição em favor de Lula. O subtítulo diz que Gilmara Cerqueira tinha 27 anos. Mas na foto é possível observar a data de seu nascimento no título de eleitor e pode-se ver que ela tinha 30 anos na época e não 27 como rebaixou Veja para enquadrá-la ao perfil do eleitor médio. Ou seja, vale até mentir a idade da moça para montar um perfil da qual ela não se enquadra totalmente.

Além das capas, você analisou também os editorais da Veja. Foi possível encontrar correspondência entre a posição oficial da revista e o conteúdo por ela produzido, que em tese é independente?

As críticas que a revista Veja recebeu durante o primeiro governo Lula, principalmente nos dois últimos anos, abalaram a própria revista, que se sentiu na obrigação de reafirmar sua “imparcialidade e independência” a todo o tempo em 2005 e 2006. Durante a crise do “mensalão”, Veja usou a maior parte dos editoriais de junho a dezembro de 2005 para justificar a matéria da semana anterior e ratificar seu compromisso com um jornalismo sério. Logo no primeiro editorial do início da crise do mensalão, em 1º de junho de 2005, Veja garante que “não escolhe suas reportagens investigativas com base em preferências partidárias ou ideológicas”. E o curioso é que todos os editoriais das edições seguintes eram para justificar suas reportagens, sempre reafirmando uma imparcialidade que não se via nas reportagens.

Você discute o paradigma da imparcialidade e neutralidade no qual é baseado o discurso dos meios de comunicação entretanto você apresenta argumentos sobre a inviabilidade destes paradigmas se concretizarem. A partir da sua pesquisa, é possível concluir se a parcialidade da revista Veja é fruto de uma política deliberada ou consequência da inviabilidade de se fazer um jornalismo imparcial?

É fruto de uma politica deliberada. É claro que é quase impossível fazer um jornalismo totalmente isento. Mas você pode pelo menos buscar a isenção, ouvindo os dois lados, dando o mesmo peso para as diferentes versões e não utilizando adjetivos, por exemplo. Veja nem tentou ser imparcial, pelo contrário. Ela tinha uma estratégia discursiva e a seguiu até o fim com um objetivo bem claro: derrubar Lula da presidência.

Ao se contrapor ao governo Lula e ao PT, a revista Veja apresentava qual projeto para o Brasil apoiava ou qual setor o representava?

A primeira edição após a reeleição de Lula, publicada em 8 de novembro de 2006, é a que mostra mais claramente a posição da revista. A matéria de capa defende que é preciso deixar para trás a “visão tacanha” de que a miséria pode ser superada pelo “princípio bolchevique” de tirar dos ricos e dar aos pobres.

Para Veja, a miséria só será superada pela produção de riqueza e para isso “o gênio humano não concebeu nada mais eficiente do que o velho e bom capitalismo, com seus mercados livres, empreendedores ambiciosos e empresas inovadoras”. Veja aconselha Lula a “aposentar para sempre a ideia de palanque de que o Brasil é como um sobrado – em que só há andar de cima e andar de baixo e, portanto, o único trabalho é fazer com que todos passem a habitar o pedaço de cima. Isso é uma interpretação tão tosca da sociedade brasileira que, na sua estupidez simplificadora, neutraliza o papel crucial e dinamizador exercido pela classe média”.

Veja diz que falta ao presidente maior clareza sobre como promover de maneira mais vigorosa as condições para que a iniciativa privada produza mais conhecimento tecnológico de ponta, inove mais e multiplique seus índices de produtividade. E acrescenta: “Para fazer o país avançar, produzir riqueza e gerar justiça, o presidente Lula tem muitos desafios para superar – e um deles começa em casa. O Partido dos Trabalhadores, que se transformou numa usina de escândalos, divulgou uma nota oficial cobrando que no novo mandato Lula faça um ‘governo de esquerda’. Ninguém sabe exatamente o que isso quer dizer, mas é certo que significa mandar às favas o equilíbrio fiscal e o controle da inflação em troca de um crescimento econômico tão duradouro quanto um voo de galinha”.

Essa é a primeira vez na cobertura do governo Lula que Veja assume com todas as letras que fala em nome das classes mais abastadas e que defende uma política e um projeto de Estado mais à direita do que voltados para o social. Sua intenção é proteger o capital como fica claro neste texto. Para a revista, é preciso esquecer a ideia de que “o único trabalho é fazer com que todos passem a habitar o pedaço de cima”. Ou seja, não interessa colocar os mais pobres no mesmo patamar dos ricos é preciso “promover de maneira mais vigorosa as condições para que a iniciativa privada produza mais conhecimento tecnológico de ponta, inove mais e multiplique seus índices de produtividade”.


Fonte: http://www.rodrigovianna.com.br/radar-da-midia/pesquisa-da-puc-veja-se-transformou-no-maior-fenomeno-de-anti-jornalismo.html

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Veronica Serra e a sócia Veronica Dantas

Só mesmo no Brasil…
Todo mundo sabe que o Maluf tem milhões e milhões de dólares no exterior, a justiça dos Estados Unidos e da Suissa já provaram e o cara continua se locupletando do nosso,do meu,do seu e do dinheiro da mãe brasileira-a pátria amada.
A filha do Serra,que tem até “château” no morumbi,segundo documentos oficiais, era sócia da irmã do Daniel Dantas-o cara que mais ganhou dinheiro (de forma honesta e desonesta?) com a privataria do Governo Serra/FHC.Tinha uma participação de 10% numa grande empresa chamada Decidir.com que tinha por objeto assessorar interessados em participar de licitações nos estados brasileiros e outras cositas mais.
Até onde se saiba o Serra só foi politico.Como é que sua filha pode se tornar sócia de uma grande empresa em tão pouco tempo? E de Daniel Dantas?
De onde sairam os recursos para o aporte de capital?
Seria,por exemplo, um empréstimo igual aquele feito pelo Delta Bank para a CBF?
Brasil…mostra a tua cara…
Ah…
E todo mundo sabia disso e os jornais nunca falaram.A imprensa brasileira do PIG protege o Serra. Mas a blogosfera está vigilante.

Fonte.:
http://exbancario.blog.br/2010/06/veronica-serra-ficou-rica-em-tao-pouco-tempo-sem-ganhar-na-mega/

sábado, 10 de julho de 2010

Semente de Sucupira - Benefícios para a saúde


Muitas sementes podem ser de grande ajuda para a saúde do organismo, e dentre estas podemos citar a semente de sucupira.


A sua origem é de uma árvore nativa rústica e é mais comum nas regiões intermediárias. Sua madeira é muito procurada e famosa. Nos meses de agosto e setembro apresenta floração roxa e azulada.

Outros nomes populares: bowdiquia, cutiúba, sapupira-do-campo, sicupira, sicupira-do- cerrado, sucupira-açu, sucupira-do-campo, sucupira-parda, sucupiruçu, alcornoque (espanhol).



Constituinte s químicos: 2-6- dimethoxybenzoqu inona, amido, matéria amarga, óleos essenciais, resinas, sucupirina, taninos.



Indicação:

O chá de sucupira é usado para combater a úlcera, gastrite, ácido úrico, aftas, amidalite, artrite (principalmente bursites , tendinites e torções ), reumatismo (crônico, gotoso, deformante), artrose, asma, blenorragia, dermatoses, dor espasmódica, diabete, eczema, erupções cutâneas, infecções bucais, mancha da pele, ronquidão, sífilis, hemorragias, vermes intestinais, além disso, é anticancerígeno e combate as inflamações no útero e no ovário. E mais, é excelente para articulação.

Com tantos benefícios o ideal é saber preparar o chá de sucupira, veja:

Modo de preparo:

Você tem que lavar bem as sementes e quebrá-las, usar 4 sementes para cada litro de água. Deixe ferver por 10 minutos. Após esfriar conserve na geladeira. Você deve beber assim como você bebe água.

O remédio também pode ser adquirido em forma de extrato nas farmácias especializadas.



Propriedades medicinais: adstringente, antidiabética, anti-reumática, depurativa, hipoglicêmica, tônica.



Parte utilizada: em nosso caso: sementes.

Contra- indicações/ cuidados: não encontrados na literatura consultada.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

PRODUTOS NOTÁVEIS

Há certos produtos que ocorrem freqüentemente no calculo algébrico e que são chamados produtos notáveis. Vamos apresentar aqueles cujo emprego é mais freqüente.



QUADRADO DA SOMA DE DOIS TERMOS



Observe: (a + b)² = ( a + b) . (a + b)

_______________= a² + ab+ ab + b²

_______________= a² + 2ab + b²



Conclusão:

(primeiro termo)² + 2.(primeiro termo) . (segundo termo) + (segundo termo)²



Exemplos :



1) (5 + x)² = 5² + 2.5.x + x² = 25 + 10x + x²



2) (2x + 3y)² = (2x)² + 2.(2x).(3y) + (3y)² = 4x² + 12xy + 9y²



Exercícios



1) Calcule

a) (3 + x)²_______________b) (x + 5)²________________c) ( x + y) ²

d) (x + 2)²_______________e) ( 3x + 2)²_______________f) (2x + 1)²

g) ( 5+ 3x)²______________h) (2x + y)²_______________i) (r + 4s)²

j) ( 10x + y)²_____________l) (3y + 3x)²_______________m) (-5 + n)²

n) (-3x + 5)²_____________o) (a + ab)²________________p) (2x + xy)²

q) (a² + 1)²______________r) (y³ + 3)²________________s) (a² + b²)²

t) ( x + 2y³)²_____________u) ( x + ½)²_______________v) ( 2x + ½)²

x) ( x/2 +y/2)²



RESPOSTAS



a) 9 + 6x +x²_______________m) 25 -10n + n²

b) x² + 10x + 25____________n) 9x² - 30x + 25

c) x² + 2xy +y²_____________o) a² + 2a²b + a²b²

d) x² + 4x + 4______________p) 4x² + 4xy + x²y²

e) 9x² + 12x +4_____________q) (a²)² + 2a² + 1

f) 4x² + 4x + 1_____________r) (y³)² + 6y³ + 9

g) 25 + 30x + 9x²___________s) (a²)² + 2a²b² + (b²)²

h) 4x² + 4xy + y²___________t) x² + 4xy³ + 4(y³)²

i) r² + 8rs + 16s²___________u) x² +x + 1/4

j) 100x² + 20xy + y²________v) 4x² + 2x + 1/4

l) 9y² + 18xy + 9x²_________x) x²/4 + 2xy?4 + y²/4







QUADRADO DA DIFERENÇA DE DOIS TERMOS



Observe: (a - b)² = ( a - b) . (a - b)

______________= a² - ab- ab + b²

______________= a² - 2ab + b²



Conclusão:

(primeiro termo)² - 2.(primeiro termo) . (segundo termo) + (segundo termo)²



1) ( 3 – X)² = 3² + 2.3.X + X² = 9– 6x + x²



2) (2x -3y)² = (2x)² -2.(2x).(3y) + (3y)² = 4x² - 12xy+ 9y²





Exercícios



1) Calcule

a) ( 5 – x)²______________b) (y – 3)²__________________c) (x – y)²

d) ( x – 7)²______________e) (2x – 5) ²_________________f) (6y – 4)²

g) (3x – 2y)²____________h) (2x – b)²__________________i) (5x² - 1)²



RESPOSTAS



a) 25 – 10x + x²_____________e) 4x² - 20 x + 25

b) y² - 6y + 9_______________f) 36y² - 48y + 16

c) x² - 2xy + y²_____________ g) 9x² - 12xy + 4y²

d) x² - 14x + 49_____________h) 4x² - 4xb + b²

i) 25(x²)² - 10x² + 1









PRODUTO DA SOMA PELA DIFERENÇA DE DOIS TERMOS



(a + b). (a – b) = a² - ab + ab - b² = a²- b²



conclusão:

(primeiro termo)² - (segundo termo)²



Exemplos :



1) ( x + 5 ) . (x – 5) = x² - 5² = x² - 25

2) (3x + 7y) . (3x – 7y) = (3x)² - (7y)² = 9x² - 49y²





EXERCÍCIOS



1) Calcule o produto da soma pela diferença de dois termos:



a) (x + y) . ( x - y)

b) (y – 7 ) . (y + 7)

c) (x + 3) . (x – 3)

d) (2x + 5 ) . (2x – 5)

e) (3x – 2 ) . ( 3x + 2)

f) (5x + 4 ) . (5x – 4)

g) (3x + y ) (3x – y)

h) ( 1 – 5x) . (1 + 5x)

i) (2x + 3y) . (2x – 3y)

j) (7 – 6x) . ( 7 + 6x)





CUBO DA SOMA OU DA DIFERENÇA DE DOIS TERMOS

.

Exemplo



a) (a + b)³ = (a + b) . (a + b)²

------------=(a + b) . (a² + 2ab + b²)

-------------= a³ + 2a²b + ab² + a²b + 2ab² + b³

-------------= a³ + 3a²b + 3ab² + b³



b) (a – b)³ = (a - b) . (a – b)²

-------------= ( a – b) . ( a² - 2ab + b²)

------------ = a³ - 2a²b + ab² - a²b + 2ab² - b³

------------ = a³ - 3a²b + 3ab² - b³



c) ( x + 5 )³ = x³ + 3x²5 + 3x5² + 5 ³

-------------- = x³ + 15x² + 75x +125



d) (2x – y )³ = (2x)³ - 3(2x)²y + 3(2x)y² - y³

--------------- = 8x³ - 3(4x²)y + 6xy² - y³

--------------- = 8x³ - 12x²y + 6xy² - y³





EXERCÍCIOS



1) Desenvolva



a) ( x + y)³

b) (x – y)³

c) (m + 3)³

d) (a – 1 )³

e) ( 5 – x)³

f) (-a - b)³

g) (x + 2y)³

h) ( 2x – y )³

i) (1 + 2y)³

j) ( x – 2x)³

k) ( 1 – pq)³

l) (x – 1)³

m) ( x + 2 )³

n) ( 2x – 1)³

o) ( 2x + 5 )³

p) (3x – 2 )³

domingo, 16 de maio de 2010

A Educação Básica e a Política.

O que mais me entristece no atual debate entre os presidenciáveis é a ausência de um discurso voltado para a Educação Básica. O candidato José Serra foi incapaz de melhorar os indicadores da educação paulista (vejam o artigo “Nós, paulistas, precisamos estudar mais Matemática!”). E Dilma, sob a tutela de Lula, não conseguiu esboçar boas perspectivas para a área.

Lula criou o PROUNI e implantou o REUNI nas universidades federais, assim como, aprimorou o antigo provão (atual ENADE). Ou seja, o MEC atuou majoritariamente sobre questões relacionadas ao Ensino Superior. Dessa forma, é possível afirmar que no Brasil as políticas públicas para a Educação são sempre feitas de cima para baixo.

Qual o motivo para os investimentos serem feitos de cima para baixo?

O Ensino Básico é mais complexo que o Ensino Superior em tamanho e em função social. Além disso, é muito mais fácil visualizar os produtos finais do investimento no Ensino Superior (em termos de profissionais colocados no mercado, pesquisa e desenvolvimento, etc.).

O tamanho do Ensino Básico (em termos de unidades escolares, alunos, professores, etc.) é um dos principais motivos para a negligência política. Na história, poucos secretários de educação conseguiram impor medidas educacionais que surtiram efeitos positivos em toda rede de ensino. Geralmente, o Poder Público comporta-se como um defensor da autorregulação na Educação. Ele acredita que os agentes (supervisores, diretores, professores, pais e alunos) são capazes de resolver todos os problemas existentes dentro da rede de ensino. Atualmente, vivemos sob o risco de um iminente “apagão” de professores de Física, Matemática e Química (vejam o artigo “A Agonia da Licenciatura”). Contudo, não há a elaboração de um plano para impedir que isso aconteça.

Todos nós sabemos que a intervenção do Poder Público na formulação de políticas públicas para Educação é imprescindível para a sobrevivência e evolução do sistema como um todo. Porém, os políticos estão mais interessados em ver os resultados diretos de seus esforços (número de vagas em universidades, número de bolsas de estudo, número de formados e número de publicação de artigos científicos). Se esse esforço dado ao Ensino Superior também fosse dado ao Ensino Básico, nós já teríamos superado diversos problemas. Infelizmente, tais políticos desconhecem os ganhos sociais incalculáveis (bons hábitos de alimentação e higiene; redução do uso indiscriminado de drogas; redução das taxas de violência; aumento da expectativa de vida; maior nível de produtividade da população economicamente ativa; maior respeito aos direitos humanos; etc.) que seriam obtidos com maiores investimentos na base da pirâmide educacional.

Fonte: http://embuscadoconhecimento.wordpress.com/

quarta-feira, 5 de maio de 2010

TJ-SP tranca ação penal contra membro da Universal

30/4/2010 - Revista Consultor Jurídico

TJ-SP tranca ação penal contra membro da Universal

Por: Fernando Porfírio



O Tribunal de Justiça de São Paulo mandou trancar a ação penal contra Veríssimo de Jesus, integrante da Igreja Universal do Reino de Deus. A decisão, por maioria de votos, é da 16ª Câmara Criminal. Veríssimo e mais nove membros da IURD, inclusive o líder, Edir Macedo, foram denunciados pelo Ministério Público de São Paulo pelos crimes de formação de quadrilha ou bando e lavagem de dinheiro. Em agosto, a Justiça paulista recebeu a denúncia e transformou os acusados em réus.



A turma julgadora entendeu que o Ministério Público não conseguiu apontar contra Veríssimo de Jesus indícios suficientes de seu efetivo envolvimento com a organização criminosa que supsotamente atuava dentro da igreja. Essa organização, de acordo com a denúncia, foi constituída, em tese, para a prática de crimes patrimoniais e de lavagem de dinheiro obtidos dos fiéis.



“A acusação sem prova, sequer indiciária, inviabiliza o recebimento da denúncia e a instauração do processo criminal, tornando descabida a pretensão punitiva”, decretou o relator do recurso. A decisão foi tomada em pedido de Habeas Corpus apresentado pelos advogados Daniel Bialski e Hélio Bialski.



A defesa apontou que seu cliente era vítima de constrangimento ilegal da parte do juiz da 9ª Vara criminal da Capital, Gláucio Roberto Brittes de Araújo. O processo 1.121/09 corre em segredo de justiça. No pedido de Habeas Corpus a defesa sustentou a tese de ausência de justa causa. Procurados pela revista Consultor Jurídico, os advogados não quiseram se manifestar sobre o caso.



A turma julgadora chegou à conclusão de que as provas colhidas pelo MP não conseguem sustentar a inicial. Segundo o relator, Jesus Veríssimo ingressou na sociedade, como diretor de duas empresas, em 25 de fevereiro de 2008. Essa data é posterior aos documentos usados pela acusação. O acusado deixou o cargo 18 meses depois, em 5 de agosto de 2009. A conclusão a que chegou o relator foi de que a prova documental não coincide com o período da gestão de Jesus Veríssimo à frente das empresas.



“O próprio relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), que discrimina o volume de recursos financeiros movimentados pelos denunciados, é restrito ao período de março de 2001 a março de 2008, enquanto o ingresso do paciente no quadro social é de fevereiro de 2008”, apontou o relator.



Segundo a turma julgadora, o único elemento a envolver o acusado – sua condição de sócio-diretor das empresas – não é suficiente para instaurar contra ele a ação penal pelos delitos de natureza coletivas descritos na denúncia do Ministério Público.



A denúncia



Jesus Veríssimo foi denunciado pelo Ministério Público porque, durante um ano, a partir de março de 2008, figurou como diretor de duas empresas – a Cremo S/A e a Unimetro S/A. Segundo a denúncia, elas eram usadas pelo grupo para movimentar e dissimular a origem do dinheiro arrecadado dos fiéis. Segundo o MP, o dinheiro arrecadado nos cultos era transferido para as duas empresas que, por sua vez, o remetiam para outras duas sociedades sediadas em paraísos fiscais: a Cableinvest Limited e a Investholding Limited.



Ainda segundo o MP, o dinheiro voltava ao Brasil sob a forma de “empréstimos” simulados em contratos de mútuo entre as duas empresas localizadas em paraísos fiscais e “laranjas”, integrantes do grupo acusado. Os recursos repatriados eram, então, usados na compra de empresas de comunicação, como a TV Record.



Ou seja, a Cremo e a Unimetro, de acordo com a denúncia, eram apenas usadas para dissimular e ocultar a natureza, origem, localização e propriedade dos valores arrecadados pelos estelionatários em prejuízo dos fiéis e da própria entidade religiosa.



Em outras palavras, o apoio de Jesus Veríssimo, ou sua contribuição decisiva para a lavagem de dinheiro, segundo a denúncia do Ministério Público, decorre do empréstimo de seu nome para a constituição ou manutenção do quadro social das empresas Cremo e Unimetro. Através dessas empresas o produto da arrecadação ilícita era remetido para o exterior com o objetivo de encobrir sua origem.



De acordo com o Ministério Público, Jesus Veríssimo e os outros nove acusados lavavam recursos desviados IURD de maneira reincidente. Veríssimo e seus amigos praticavam estelionato contra os fiéis da Igreja. Em seguida, os acusados ocultavam e dissimulavam a natureza, origem localização, movimentação e propriedade dos valores resultante das doações.



Descreve a denúncia do MP que os líderes da Igreja Universal do Reino de Deus, reunidos em quadrilha, durante dez anos, coletaram grande quantidade em dinheiro, vindo da contribuição de fiéis que, crentes na promessa de que a generosidade financeira para com a Igreja seria retribuída com a graça da realização pessoal, física ou financeira.



Segundo a denúncia, Edir Macedo era o chefe da quadrilha que usava empresas de fachada para desviar recursos provenientes de doações dos fiéis da igreja e praticar uma série de fraudes.



Ação inépta



A turma julgadora entendeu que a descrição genérica e vaga da conduta, quando se trata de delitos societários ou coletivos, deve ser considerada grave vício de forma e conteúdo, numa verdadeira afronta ao artigo 41 do Código de Processo Penal. “Para o recebimento da denúncia, é sabido, há de existir, nos documentos que a sustentam, algum fundamento fático-jurídico que vislumbre a viabilidade da demanda penal”, afirmou o relator.



Para o relator, a inépcia da inicial em relação a Jesus Veríssimo se evidencia pela omissão daquilo que consistiria sua participação na empreitada criminosa. “Assim como pela falta de descrição do vínculo subjetivo que o ligaria aos demais denunciados, apontados como líderes da igreja”, destacou o relator.



Segundo a denúncia, em 2004 e 2005, as empresas Unimetro Empreendimentos e Cremo Empreendimentos receberam R$ 71 milhões da Igreja Universal. O dinheiro foi usado em benefício da quadrilha denunciada, o que, em tese, desvirtua a finalidade das doações à Universal, que tem isenção de impostos.



Edir Macedo não aparece nominalmente como sócio das empresas, mas depoimentos e outras provas colhidas ao longo das investigações apontam o fundador e líder da Universal como verdadeiro dono das empresas montadas para lavar o dinheiro recolhido de fiéis.



Edir Macedo também é acusado de usar o nome de laranjas para comprar emissoras de rádio e TV que hoje compõem a Rede Record. Ele é acusado de fraudar procurações assinadas por estes laranjas para, posteriormente, transferir as ações das emissoras para seu próprio nome ou de pessoas acusadas de participar da quadrilha.



Além de Edir Macedo foram denunciados Alba Maria da Costa, Edilson da Conceição Gonzales, Honorilton Gonçalves da Costa, Jerônimo Alves Ferreira, João Batista Ramos da Silva, João Luis Dutra Leite, Mauricio Albuquerque e Silva, Osvaldo Sciorilli e Veríssimo de Jesus.



O processo corre na 9ª Vara Criminal da Capital. A investigação, que deu origem á Ação Penal, foi patrocinada pelo Ministério Público. Segundo o MP, somando transferências atípicas e depósitos bancários feitos por pessoas ligadas à IURD, o volume financeiro da igreja de março de 2001 a março de 2008 foi de R$ 8 bilhões. Estas informações são confirmadas pelo Coaf, órgão do Ministério da Fazenda. Os recursos teriam servido para comprar emissoras de TV e rádio, financeiras e agência de turismo e jatinhos.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

O transporte público de São Paulo

Motorista de lotação que ganhar mais e é um direito dele. O cobrador quer fazer graça para as mocinha bonitas, também é um direito dele. E nesse trânsito caótico de São Paulo alguém está ganhando muito dinheiro com os transportes coletivos. O usuário da lotação desembolsa no mínimo R$ 5,40 para ir e voltar do trabalho e no final do mês acaba gastando R$ 118,80. Esse valor seria insignificante se existisse conforto nas lotações, onde viajamos espremidos e os gordinhos se sentindo constrangido por ocupar um banco e meio ou toda a passagem do corredor. Além do aperto e do desconforto ainda existem aqueles motoristas e cobradores que se acham o máximo demosntrando antipatia para com os idosos. Quando estão no horário de pico querem correr para chegar logo e nessa corrida os passageiros necessitam se esforçar ao máximo para não cair ou empurrar o colega do lado. Quando o passageiro entra na lotação, se estiver com uma mão ocupada, ele fica sem ter onde se segurar para passar o bilhete na catraca. O cobrador poderia até ser gentil, mas o que se nota é de que a gentileza existe só para as mocinhas, porque os homens, mulheres e idosos são ignorados. E no momento em que entram 3 ou 4 passageiros e o cobrador pede para subir mais um degrau sem se preocupar se os primeiros já se acomodaram? Motoristas e cobradores sem classe nenhuma os quais demostram uma estupidez extrema com os idosos. Muitos deles fumam dentro da lotação, outros conversam no celular e com o veículo em movimento. Vê-se motoristas xingando o veículo da frente, dirigindo palavrões de baixo calão. O motorista tem que ser mais gente e esquecer o lado animal porque ele carrega seres humanos, educados e respeitadores...Passam em buracos em alta velocidade, fazem curvas em alta velocidade, enfim sofremos... Agora, os tubarões responsáveis pela frota estão ganhando muito dinheiro. Veja os números: Digamos que na capital paulista 1 milhão de passageiros sejam usuários de lotação. Cada passageiro gasta R$ 5,40 para ir e voltar do trabalho. No final do mês acumula um gasto de R$ 108,00 por vinte dias trabalhados. Se um trabalhador gasta R$ 108,00 por vinte dias, então 1 milhão de passageiros gastará R$ 108.000.000.000,00. É isso mesmo 108 bilhões de reais. E a Zona leste deve ficar com a maior cota porque a população é maior.


É MUITO DINHEIRO.É MUITO DESCONFORTO. A PASSAGEM É MUITO CARA.

PS.: Se o passageiro paulista não tivesse medo do motorista e do cobrador com certeza ele (o passageiro) diria, fica quieto e dirige direito porque eu estou pagando...mas...

sábado, 24 de abril de 2010

Sem doutorado? Então fora!

19 de Abril de 2010 - por Alexandre Barros





A crise está produzindo alguns efeitos magníficos, que ninguém planejou. Belezas do capitalismo: milhões de pessoas fazendo escolhas independentes e produzindo efeitos que ninguém previu.



Muitos profissionais que perdem empregos nos Estados Unidos estão virando professores. Isso mesmo. Contadores vão para as escolas ensinar, depois de muitos anos com a mão na massa. Projetistas vão para escolas e faculdades ensinar desenho industrial e por aí afora.



Se perdessem os empregos, dois meninos maluquinhos que resolveram cair na vida, em vez de virar acadêmicos, poderiam ir dar aulas. Muitas universidades receberiam Bill Gates (Microsoft) e Steven Jobs (Apple) de braços abertos. Acredito que haveria uma enorme disputa entre as melhores universidades para ver quem conseguiria levar qual.



No Brasil, como professores, bateriam com o nariz na porta.



Como nenhum dos dois tem mestrado ou doutorado, não valem nada para qualquer universidade brasileira. O Ministério da Educação não os reconhece. Um profissional fantástico sem mestrado ou doutorado é proibitivo para uma universidade brasileira.



Cirurgiões que foram dos bancos da escola para as salas de operação não poderiam lecionar em faculdades. Sua experiência avançadíssima vale zero.



Não passaram pelos rituais de iniciação: gastar tempo escrevendo dissertações. Estão fora. Graças ao MEC, no Brasil, vigora o "quem sabe faz e quem não sabe ensina."



Simon Schwartzman, especialista em educação superior e pós-graduada, disse numa entrevista (Veja 2059, 7 de maio de 2008): "O professor [brasileiro] participa de um congresso ou publica um artigo numa revista que ninguém lê." Em outras palavras, os professores brasileiros passam a vida fazendo imensos esforços para ter impacto zero no desenvolvimento da ciência, da tecnologia e das políticas públicas.



Parece anedota, mas não é. Criou-se um clube de amigos que publicam em revistas nas quais, não raro, o intervalo entre o término de uma pesquisa e sua publicação pode ser de até 4 anos. Só essas revistas são reconhecidas. Outras mídias (jornais, revistas, TV) de nada valem, ainda que possam ser lidas por milhões de pessoas. Isso em tempos de Internet.



Nikola Tesla (o inventor da geração de corrente alternada que move o mundo) não teria emprego em nenhuma universidade brasileira. Dificilmente conseguiriam publicar um artigo em revista Qualis (esse é o codinome das revistas que o MEC reconhece).



Na Universidade de Chicago, a maior ganhadora de prêmios Nobel (79 ao todo, 27 em Física e 25 em economia), é possível entrar sem jamais ter ido para a escola, qualquer escola. Lá, o principal critério para contratação de um professor de economia é o potencial para um prêmio Nobel. A universidade sabe que cada prêmio Nobel é um pote de mel para atrair alunos, doações e outros bons professores.



Recentemente, na feira de ciências de uma escola secundária na área de Boston, em Massachussets, um adolescente de 16 anos apresentou um trabalho da maior relevância para a saúde pública no Brasil: descobriu que o vírus da hepatite C e o vírus da dengue são primos próximos. Este atalho pode economizar muitos anos na descoberta da cura da dengue (sabendo que os vírus são primos próximos podem-se usar muitos conhecimentos já avançadíssimos sobre o vírus da hepatite C, para a dengue).



O caminho até a cura da dengue ainda é longo, mas será muito mais curto do que sem a descoberta.



No Brasil, ninguém o levaria a sério porque ele não tem idade nem para poder entrar para uma faculdade, como, de resto, não levaram o Portellinha, sobre quem comentei n’O Estadão em "Deixem o Portellinha estudar em paz," (O Estado de São Paulo, 12 de março de 2008, pág 2). Apesar de aprovado no vestibular de direito com sete anos de idade, Portellinha foi impedido, pelo lobby da OAB e pela lei, de entrar para a universidade.



O interesse dos burocratecas do MEC está em formalidades e papelório.



O currículo oficial do CNPq registra minúcias da vida de professores que me lembram o que meu amigo Lorenzo Meyer, historiador mexicano, chamava de ridiculum vitae.



Qualquer atividade acadêmica exige um papel assinado por alguém atestando que aquilo é verdade. Vou além de Simon: o pouco tempo que sobra de tentar publicar artigos que não serão lidos por ninguém é consumido correndo atrás de papelório inútil.



Tomara que Bill Gates e Steven Jobs não percam seus empregos, pois poderemos continuar a curtir nossos produtos Microsoft e nossos Macs e iPhones.



No Brasil, Bill Gates e Steven Jobs não teriam tempo para inventar nada. Perderiam seu tempo correndo atrás dos certificados que os legitimaria perante a burritzia nacional.



As invenções, ora, as invenções... são coisas de gringo... Aqui basta uma política industrial para dar dinheiro aos amigos do rei.



Quando a lei e os oligopólios de proteção profissional impedem o progresso de alguém porque não passou pelos rituais de iniciação, fica mais fácil entender porque o Brasil não tem nenhum prêmio Nobel, em nenhum campo.

Fonte: http://ordemlivre.org/textos/970

terça-feira, 6 de abril de 2010

A Educação Pública no Brasil

O Brasil não é mesmo um país sério! Não posso dizer outra coisa após o que vivi e vou viver pelos próximos 30 anos trabalhando na educação neste país.




Todos são unânimes em dizer que a educação deve ser prioridade no Brasil, ou em qualquer país que pense alto. Mas ela é mais do que isso, é uma forma de ascensão social. Esta é uma das maiores conquistas burguesas. Quando a hierarquia do nascimento deu lugar a hierarquia do dinheiro, a educação passou a ser a arma da burguesia européia para conquistar ou manter seu status. Colocar seus filhos nas melhores escolas era o mínimo que podiam fazer. Enquanto isso, os filhos do "resto" da população permaneciam ignorantes, em uma época que a idéia de ensino público e obrigatório estava engatinhando.



Quando a idéia de igualdade jurídica se difundiu, a educação passou a ser vista como forma de dar as mesmas oportunidades para todos. A escola pública nasceu para isso. Em algum momento ela se desviou do seu caminho até chegar ao estágio que está hoje.



No Brasil, assim como na saúde, a educação, no decorrer do Regime Militar, foi privatizada. Aqueles que possuíam dinheiro começaram a pagar um plano de saúde e uma escola particular para seus filhos. Cansados de esperar do governo, os ricos e a classe media preferiu pagar o preço. Esta situação apenas piorou o quadro nestas duas áreas essenciais. Sem a importante pressão daqueles que tem o dinheiro, a saúde e a educação pública do Brasil foi se degradando. Os mais pobres, que utilizam estes serviços, passaram a sofrer calados. A voz da população está com os mais ricos. Resumidamente, está é a história da educação. Chegamos aos dias atuais. Chegamos à minha realidade.



Eu era um sonhador. Agora percebo que sou utópico. Acreditei que poderia mudar o mundo. Claro que do meu jeito, dando a minha contribuição, transformando a realidade que estava ao meu alcance. Pensei o seguinte: estou indo dar aula em uma escola pública, mas quero fazer o melhor trabalho possível, dando o melhor de mim, como se estivesse na melhor escola particular, ganhando o melhor salário possível. Estes alunos precisam ter a mesma qualidade de ensino que um aluno de uma escola particular. Assim terão as mesmas oportunidades. Assim poderão disputar as mesmas vagas sem precisar das discutíveis cotas nas universidades. Pura inocência minha!



Quem coloca o seu filho em um colégio público o faz por necessidade financeira, salvo algumas exceções. Mas este mesmo pai deseja que sua criança tenha a mesma qualidade de ensino da escola particular. Eu mesmo penso assim. Meus filhos estudam e vão estudar em colégios públicos. A partir disso, quero fazer um alerta. O que os professores neste país estão cansados de saber deve ser de conhecimento também dos pais de alunos. A educação pública no Brasil é uma farsa!



Não estou aqui reclamando dos baixos salários e das péssimas condições de trabalho, objeto da maioria das reclamações dos professores em todo o país. Estes problemas são conseqüências e não a causa da falência do modelo educacional brasileiro. Estou aqui para denunciar uma prática que se tornou comum no ensino público, não só do município onde trabalho, mas no Brasil inteiro. O aluno é visto apenas como um número, e utilizado somente como ferramenta política. Estes números são transformados em dados e divulgados com objetivos eleitoreiros - 99% de crianças na escola; 99% de alunos com o ensino fundamental; 99% de alunos com o ensino médio; 0,1 de analfabetos etc. O resultado desta política se traduz no seguinte pensamento: "temos que melhorar os números, não importa como".



Eu e inúmeros colegas de profissão estamos recebendo todo tipo de pressão para "dar nota" aos alunos, mesmo aqueles que não apresentam condições para tal. O nosso trabalho é avaliado de acordo com os índices de "aproveitamento", leia-se: alunos com nota boa. Os melhores professores são os que têm os melhores índices. É evidente que ninguém gosta de ser considerado um fracassado. Acho que dá para perceber para onde caminhamos. As avaliações feitas no Brasil mostram o quanto nossos alunos estão deficientes. As notas são baixíssimas. Sem contar que existem escolas em que as avaliações são feitas pelos professores e não pelos alunos (como exemplo o colégio onde meus filhos estudam. A professora dizia aos alunos o que deveria ser colocado na avaliação da Provinha Brasil). Poucos são os alunos que chegam a acertar metade da prova. No entanto, como em uma mágica, os índices de aprovação nestas mesmas disciplinas avaliadas – Português e Matemática – chegam a 100%. Será que estas avaliações são muito exigentes? Como pode uma tamanha discrepância nos números. Cabe ao poder público tomar as devidas providências. E cabe a imprensa e a sociedade como um todo cobrar para que as salas de aula nas escolas públicas no país não sejam um depósito de crianças. Cabe também a classe dos professores não se conformar com tais práticas, exigindo mais respeito e autonomia na hora de avaliar seus alunos.



Sou concursado e mesmo assim sofro ameaças devido ao meu "aproveitamento" ruim. Imagine o que os milhares de professores contratados são obrigados a fazer, aprovando alunos visivelmente deficientes em suas matérias, devido ao medo de perderem seus empregos. Agüentar baixos salários, ser desvalorizado, não ter condições de trabalho, conviver com salas superlotadas e aturar a falta de respeito dos alunos e até dos próprios diretores (as) nas escolas. Este é o retrato da minha profissão. Por isso tão cedo deixei de ser um sonhador. Por isso tão cedo deixei de acreditar que mudarei alguma coisa. Por isso nosso país não é sério. Por isso ainda sofreremos por muito tempo. E ainda dizem que o brasileiro não desiste nunca.

FONTE:
http://www.webartigos.com/articles/14707/1/A-Educacao-Publica-no-Brasil/pagina1.html.

sábado, 27 de março de 2010

Globo criminaliza professor para defender o ditador José Serra

Quem ouviu de olhos fechados o noticiário da Globo sobre a violência policial contra os professores paulistas, ficou com a impressão que os professores seriam desordeiros que provocaram o conflito.




Quem viu de olhos abertos percebeu que a narrativa não correspondia à sequência de imagens. Um grupo pequeno de manifestantes tomou o caminho de acesso ao Palácio dos Bandeirantes. Havia uma barreira policial que os impedia de prosseguir. Como o grupo era pequeno, houvessem policiais experientes em negociação, não haveria conflito.



Mas o que se vê no vídeo são os policiais recebendo os manifestantes, não com diálogo, mas com spray de pimenta. Só depois dos manifestantes (jovens, aparentemente estudantes) serem agredidos com spray de pimenta, é que revidaram jogando objetos. A reação da polícia foi o uso da força desproporcional à necessidade, transformando uma manifestação pacífica em uma praça de guerra.



A Globo contou a versão oficial da Polícia, para agradar o ditador José Serra. Mas não ouviu o outro lado. O presidente da UNE estava lá, e conta no vídeo o que testemunhou, insatisfeito com o desfecho violento:







 
 
 
A versão da globo pode ser vista nesse vídeo:
 

Datafolha quer tirar campanha de Serra da UTI, mas pesquisa expontânea desmente.

Na nova pesquisa Datafolha, Serra teria tido uma "recuperação" (subindo de 32 para 36%), enquanto Dilma teria "estabilizado" (oscilando de 28% para 27%). Isso na pesquisa estimulada, quando mostra uma cartela redonda com os nomes dos candidatos para escolha.




Mas a pesquisa espontânea, quando nenhum nome de candidato é citado, e o pesquisado apenas é perguntado em quem votaria para presidente nas próximas eleições, Dilma subiu para 12% (tinha 8% em dezembro e 10% em fevereiro) enquanto Serra ficou nos mesmos 8%, o mesmo percentual de dezembro.



Há algum claro problema de metodologia nesta PE$QUI$A.



Segundo o Datafolha, Serra teria uma inacreditável e meteórica subida na Região Sul, enquanto Dilma teria caído. Justamente na região Sul, onde há os maiores desgastes com escândalos de corrupção, seja com a candidatura de Yeda Crusius (PSDB/RS), seja com a posse de Leonel Pavan (PSDB/SC) subindo de vice para governador, em meio às investigações da Polícia Federal por cobrança de propina de empresa privada de petróleo.



O Datafolha também jura que os mais pobres (os eleitores que ganham até dois salários mínimos) tornaram-se entusiastas eleitores de Serra, e não de Dilma, a candidata de Lula.



Por fim afirma que Serra estaria causando "frisson" no eleitorado feminino. Só faltou a Folha demo-tucana jurar que meninas adolescentes colam fotos de Serra dentro de coraçõezinhos em seus diários, ao lado de fotos de Brad Pitt.



Como se vê, é difícil acreditar que não haja algo de errado nesta pesquisa, ainda mais com base nas explicações acima.



Mas tanto faz, como tanto fez, o que diz o Datafolha. Pouco importam os números diante do que tem a ser feito, que é sempre a mesma coisa. A campanha de Dilma precisa ser feita todo dia como se ela tivesse começando lá de baixo. Nada de salto alto, e nada de relaxar.



Essa campanha que virá será uma guerra de informações pela verdade contra a mentira. As "bases" de Serra são o PIG, incluindo suas pesquisas, o poder econômico, os banqueiros nacionais e estrangeiros, o coronelismo político falido e o coronelismo eletrônico ainda com um pouco de poder.



É contra essas forças que teremos que lutar dia a dia, palmo a palmo, e cada um prepare seu espírito para matar um leão por dia, porque será assim, e não adianta reclamar. Adianta lutar, porque a realidade brasileira ainda é o que é, com um conservadorismo demo-tucano corrupto, que junta o que há de pior no capital nacional com o capital estrangeiro, capaz de fazer qualquer coisa, mas qualquer coisa mesmo, para colocar as mãos de volta nos cofres públicos e nas riquezas nacionas, como do pré-sal, da Amazônia verde e da nossa Amazonia Azul, da riqueza do suor do trabalho do nosso povo.



Essa realidade só muda pela nossa luta transformadora. A eleição da Dilma será mais uma conquista suada, depois das duas primeiras vitórias de Lula.
 
Fonte: http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/

O mundo bizarro de José Serra

Muito ainda se falará dessa foto de Clayton de Souza, da Agência Estado, por tudo que ela significa e dignifica, apesar do imenso paradoxo que encerra. A insolvência moral da política paulista gerou esse instantâneo estupendo, repleto de um simbolismo extremamente caro à natureza humana, cheio de amor e dor. Este professor que carrega o PM ferido é um quadro da arte absurda em que se transformou um governo sustentado artificialmente pela mídia e por coronéis do capital. É um mural multifacetado de significados, tudo resumido numa imagem inesquecível eternizada por um fotojornalista num momento solitário de glória. Ao desprezar o movimento grevista dos professores, ao debochar dos movimentos sociais e autorizar sua polícia a descer o cacete no corpo docente, José Serra conseguiu produzir, ao mesmo tempo, uma obra prima fotográfica, uma elegia à solidariedade humana e uma peça de campanha para Dilma Rousseff.




Inesquecível, Serra, inesquecível.

Fonte: Brasília, eu vi
Blog de Leandro Fortes

sexta-feira, 19 de março de 2010

Sistemas de avaliação em países europeus

Alunos Finlandês


E então na famosa Finlândia??

"Neither teachers nor their teaching are evaluated in Finland as such. However, the principal is always the pedagogical leader of his/her educational institution, thus being responsible for both instruction and teaching staff. Most schools have a quality system, which includes annual development discussions. These discussions are organised to evaluate the achievement of the objectives set for the previous year and the teaching staff's objectives or needs for the following year."

Uma tradução às pressa:

Nem os professores nem o seu ensino são avaliados como tal na Finlândia. No entanto o diretor é sempre o responsável pedagógico da sua instituição, sendo, por conseguinte, responsável pela instrução e pelo corpo docente. A maioria das escolas têm um sistema de qualidade que inclui discussões anuais tendo em vista o aperfeiçoamento. Estas discussões são organizadas para avaliar os objetivos estabelecidos para o ano anterior e os objetivos do corpo docente ou necessidades para o ano seguinte.

Se assim for, parece-me um sistema burocraticamente  baseado, sobretudo, na responsabilidade. Parece-me também uma avaliação centrada na escola e no seu aperfeiçoamento e não uma avaliação punitiva bloqueante da carreira dos professores.

Para saber mais sobre os sistemas educativos europeus ver o site www.eurydice.org


Haverá outra profissão que seja avaliada diariamente como a nossa? Pelos alunos e respectivos pais?

O otimista e o negativista - os dois maiores jornais do país.

Enquanto uns mostram fatos, outros brigam com a verdade


12 março 2010 Os jornais de hoje merecem uma comparação. E nem é necessário fazer uma procura muito grande. Basta comparar os dois maiores jornais do país que já é suficiente para ver como é possível tratar de formas diferentes o mesmo assunto. A capa da Folha de S.Paulo diz “Brasil teve o pior PIB em 17 anos”. A do Estado de S.Paulo, “PIB cai 0,2% em 2009, mas já cresce como antes da crise”. A primeira é negativa, e só. A segunda começa com a informação ruim, mas recupera, fechando com uma conotação positiva, que se sobrepõe. E olha que o Estadão é um jornal conhecidamente conservador.



O link do título da Folha no site, mas com o conteúdo do jornal impresso, conduz a um texto diferente. Ou seja, a própria Folha já reconhece, em suas páginas internas, que a coisa não é bem assim. A notícia é de que “Economia se recupera no final de 2009″. A ideia é oposta à que a manchete passa. Porque aí ela é contextualizada. O PIB não é mais simplesmente um resultado negativo do governo, mas consequência de um contexto econômico internacional, já se recuperando no final do ano. Há até um texto intitulado “Sob Lula, país cresceu mais que nos anos FHC”. Tudo muda.



Esse contexto já é dado por Estadão no olho da matéria, presente tanto na capa do jornal impresso quanto na chamada do site, que aparece ao lado da imagem da capa nos sites de ambos os jornais, junto com algumas chamadas para as matérias mais importantes.



Já fiz comentários semelhantes antes, mas diante da persistência dos jornais em fazer sempre a mesma coisa, vou também ser insistente: quando a informação é dada descontextualizada, quando se valoriza um aspecto que não dá a dimensão verdadeira do fato, é como mentir para o leitor. Ao priorizar a informação de que o PIB teve o pior resultado em 17 anos, Folha priva o leitor de saber que o dado principal é que ele já está se recuperando. O jornal omite.



Seria irônico, se não fosse um triste atentado aos princípios éticos do jornalismo. Mino Carta chama esse valor de “fidelidade canina aos fatos”. Outro jornalista que sabe das coisas diria que o Estadão não briga com a verdade. Folha não sabe o que é isso.

Fonte: Jornalismo B